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EM ENTREVISTA NO ESPECIAL EXECUTIVO DE VALOR, DO JORNAL VALOR ECONÔMICO, EDUARDO FELIPE MATIAS ANALISA O USO DA IA NAS DECISÕES EMPRESARIAIS.

22 Junho 2026/ Notícias & Artigos/

Reforço tecnológico

Uso da IA como apoio para a tomada de decisões pode ser produtivo, mas requer cuidados.

Por Jacilio Saraiva

As lideranças estão se apropriando cada vez mais dos recursos da inteligência artificial (IA). Segundo um levantamento da consultoria Deloitte com 3,2 mil gestores em 24 países, sendo 115 no Brasil, aprimorar a tomada de decisões é um dos benefícios mais observados com o uso da tecnologia, apontado por 53% dos profissionais. Só perde para ações como melhorar a produtividade (66%) e aparece antes da redução de custos (40%). Para especialistas, é possível empregar a ferramenta como um apoio na criação de novas estratégias — mas ela não é capaz de substituir o bom senso do tomador de decisões.

“Na prática, um CEO pode recorrer à IA para fazer uma primeira leitura de um problema, testar hipóteses e pedir contrapontos”, diz Eduardo Felipe Matias, autor do livro “A humanidade e o poder digital: Impactos da IA sobre nosso futuro”. Em vez de perguntar o que deve ser feito, o indicado é pedir para o sistema apresentar riscos e cenários possíveis numa situação, diz. “Mas a tecnologia não substitui a experiência, a intuição e a leitura de contexto do executivo.” Ele lembra que as movimentações dos líderes quase nunca são apenas técnicas e que envolvem cultura organizacional, “timing”, valores e visão de longo prazo. “Nesses casos, a IA melhora a análise, porém o julgamento final deve continuar com o gestor.”

Para Matias, as decisões mais aderentes à análise preditiva são as baseadas em grande volume de dados. “A ferramenta tende a funcionar melhor quando consegue comparar e encontrar relações entre muitos elementos, tarefa que uma equipe humana pode ter dificuldades de finalizar”, exemplifica. “Isso se aplica, por exemplo, à verificação de registros de ‘churn’ [taxa de rotatividade de clientes] ou de gestão de estoques.”

O autor chama a atenção ainda para a utilização dos algoritmos em deliberações que podem afetar pessoas: “Contratações, promoção, demissão, avaliação de desempenho e definição de remuneração podem ser auxiliadas pela IA, mas não deveriam ser totalmente automatizadas sem uma revisão humana”.

Isso porque o fato de um sistema ser “baseado em dados” não significa que vai produzir julgamentos justos e confiáveis. “Muitas vezes, os dados usados para treinar os programas refletem desigualdades históricas, preconceitos e estereótipos.” Os sistemas de IA podem, por exemplo, tratar a desigualdade de oportunidades entre gêneros no mercado de trabalho como um padrão estatístico e transformá-la em uma recomendação, reproduzindo dinâmicas que deveriam ser superadas. “A promessa de eficiência, nesse caso, pode levar a decisões equivocadas.”

Publicado originalmente no jornal Valor Econômico em 16 de junho de 2026.

Para ler a matéria completa, acesse o link: Manual de sobrevivência em cenários de crise | Valor Econômico

 



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