Estudo mostra as principais
razões para startups brasileiras fecharem as portas. Desentendimento entre
sócios lidera a lista
Sua ideia de negócio começou
genial, mas agora está indo para o buraco? Há uma boa chance de que a causa
desse fracasso seja a briga constante com seus sócios. Pode ser também seu
desconhecimento sobre a melhor forma de captar dinheiro para financiar a
operação. Ou, ainda, algum obstáculo legal que você não estava esperando.
Essas são as razões mais
apontadas por empreendedores e investidores para o fim das startups que criaram
ou em que aportaram. O escritório de advocacia Nogueira, Elias, Laskowski e
Matias (NELM) entrevistou 108 donos de empresas e investidores para elaborar o
estudo Panorama Legal das Startups, que aponta os motivos de insucesso nos
negócios inovadores e indica como superar tais obstáculos.
Confira, a seguir, os 3 erros
mais comuns que fazem ideias geniais fracassarem:
1 — Desentendimento entre
sócios
Cerca de 67% dos empreendedores
acreditam que a maior causa de fracasso de sua startup é a discussão entre os
donos sobre questões não definidas no contrato de sociedade. Essa percepção é
reforçada pelos investidores. Cerca de 54% deles enfrentaram impasses
societários com os fundadores, enquanto 46% disseram que o principal problema
que viram em startups fracassadas foi a incompatibilidade dos sócios na hora de
gerir o empreendimento.
Para fugir desse problema,
documentos como o acordo de sócios e o memorando de entendimentos são
essenciais independentemente do porte do negócio. Os papéis definirão, por
exemplo, quais as responsabilidades de cada fundador; como será a divisão e a
administração da sociedade; e quais são as cláusulas que impedem concorrência e
vazamento de informações caso algum dono saia da empresa. Mesmo com tanta
importância, apenas 46% dos empreendedores entrevistados assinaram um acordo de
sócios.
2 — Falta de dinheiro (e de
conhecimento)
Segundo o NELM, 57% dos
empreendedores acreditam que a dificuldade em captar investimentos foi a causa
do fracasso de sua startup, diante da falta de conhecimento sobre modalidades
de arrecadação. Para 46% dos investidores, perceber que o empreendedor não sabe
qual a melhor forma de conseguir dinheiro para sua startup inibe aportes.
É importante conhecer as diversas
modalidades de captação porque elas podem significar maior ou menor proteção ao
investidor e maior ou menor ingerência dele no negócio. Cerca de 54% dos
investidores sofreram com a falta de informações sobre a melhor estrutura
societária para a realização de seus investimentos, enquanto 38% destacaram que
deveriam ter escolhido um modelo de tributação melhor.
Adquirir uma participação
societária, por exemplo, é muito mais arriscado ao investidor do que um mútuo
conversível ou uma sociedade em conta de participação (SCP), modalidades que
garantem o não-envolvimento do investidor nos riscos decorrentes da atividade
da empresa. “Investimentos mais seguros e com tributações adequadas poderiam
impulsionar a captação de recursos pelas startups, fomentando o crescimento
desse ecossistema”, afirma Eduardo Felipe Matias, sócio do NELM e coordenador
do levantamento.
3 — Desorientação legal
Para 36% dos empreendedores, suas
startups fracassaram por conta do desconhecimento da regulação a legislação
específicas à sua área de empreendimento. Por isso, 46% dos donos de negócios
entrevistados acreditam que a validação jurídica do modelo de negócio justifica
até a contratação de uma assessoria no ramo.
Toda startup precisa de um
planejamento jurídico, o que inclui pesquisar as normas aplicáveis à atividade
exercida pelo empreendimento. A empresa talvez precise da autorização do poder
público para operar, como o Banco Central no caso das fintechs ou da Anvisa no
caso das startups de saúde.
Por: Mariana Fonseca
(Conteúdo extraído do Portal da Exame, publicado em
09/01/2018).
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